<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604</id><updated>2011-09-24T00:31:14.760-03:00</updated><title type='text'>breve-brevíssimo ou aquele morre-não-morre</title><subtitle type='html'>Na iminência do incêndio, o inominável já está à espreita. Uma precisão de dar vida a um que toca, machuca. E lá vai o demônio... embaixo da mesa, na ponta dos dedos, pelas costas, beiço colado ao ouvido esquerdo. De mãos dadas com o diabo, vou ao caminho de Deus.
Re-bento. Antes de Maria cerzir as próprias fissuras, o batismo é consumado – a obra já nasce benzida pelo coxo. Fruto de vosso ventre maldito e da maldade de escrever.
Ficamos assim: Deus é o significado, o diabo, o significante.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>22</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-8074147926906044239</id><published>2010-01-29T23:38:00.005-02:00</published><updated>2010-01-29T23:55:27.470-02:00</updated><title type='text'>dos outros, olhos de cão</title><content type='html'>Uma tentativa fracassada de decantação de experiência fílmica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Entra o Diabo, acompanhado de três ou quatro demônios, carregando nas mãos correntes de ferro que passam pelo pescoço de Adão e de Eva. Uns os empurram, outros os puxam para o inferno. Outros aparecem dançando diante deles como para manifestar a alegria em virtude de sua perdição. Alguns, vendo-os se aproximar, apontam para eles, agarram e os jogam no inferno. Uma grande fumaça se eleva. Ouvem-se gritos de alegria e um barulho de caldeiras e caçarolas se entrechocando. Depois de alguns instantes os diabos saem e correm em todas as direções na praça, com exceção de alguns que continuam no inferno)&lt;/em&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DVD no aparelho, ajuste na televisão, &lt;em&gt;play&lt;/em&gt;. Súbito: morri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, no princípio, foram as dores primeiras, tais quais as da menina violentada em processo de abortamento, depois vieram o medo, a culpa, a ânsia, o vômito, o choro sentido, avançaram as dores, a revolta e, num quando, faleci. Depois, ressuscitei para escrever as Palavras. Mas "a angústia continua".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As aspas são da mãe da adolescente estuprada à caminho da escola. A menina, agora grávida, recebe a permissão de interromper a gestação e se submete à bateria de exames e procedimentos médico-legais que possibilitam a expulsão do feto indesejado. Essa é uma das histórias que compõem o documentário &lt;em&gt;O aborto dos outros&lt;/em&gt;, da cineasta paulista Carla Gallo, e que pontua todo o filme. Mas a narrativa não começa aí. À medida que os sons de hospital diminuem e o branco imenso vai dando lugar a imagens cada vez mais definidas, saímos de trás de um biombo, do esconderijo da vida real, e nos aproximamos da entrevista de uma garota sem rosto, mas com voz, cabelo, pele, a uma psicóloga. Durante o relato íntimo, o espectador invasivo é apresentado aos fragmentos deste corpo vitimado pela violência. A orelha de onde pende um brinco, o cabelo enrolado displicentemente por um prendedor de plástico, os ombros nus e parte das costas deixada à mostra por uma blusa de alça. Traço estilístico marcante – e mais e sobretudo: expediente de preservação da mulher que, paradoxalmente, revela tanto, o que acaba por se tornar recurso estético –: recortes de corpo que, em lances de metonímia, são o próprio corpo, que, por sua vez, é a própria mulher. O corpo como porta-voz do discurso feminino. "Como você tá se sentindo depois de tudo isso que aconteceu?" O silêncio é a resposta possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já deitada, à espera das novas dores que induzirão o parto precoce, a menina executa lentamente um movimento de tirar e colocar o anel do dedo – essa é a imagem que preenche toda a tela –, aludindo a uma cópula – ou deve ser essa minha cabeça. E daí o mexer das pulseiras, a pinta embaixo da boca, a sobrancelha grossa. A mãe também não tem rosto, mas está ali inteira, por partes. Os dentes, a boca deformada pelo choro que fala ao telefone com um parente, pedindo por oração: "Eu sei que Deus é contra isso..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E perguntou o Senhor a mulher:&lt;br /&gt;Por que fizeste isso?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na delegacia, antes de entrar com pedido de aborto, a mãe teve de ouvir de um escrivão: "Vocês não pensem que o aborto vai ser tão fácil assim. Primeiro porque é crime, segundo porque tem que autorizar... E até lá, ela já vai estar com seis meses e..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E a mulher disse ao Senhor:&lt;br /&gt;A serpente me enganou, e eu comi.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada quadro, um jato branco me invade, e conheço outra história contada por um par de olhos verdes. Um mês de sexo forçado, porque o marido não aceitou seu desejo de separação. Como ele não saía de casa, eles moravam com os pais dela, a mulher aceitou a "proposta indecente" por completo desespero. O sexo quase sempre acontecia acompanhado de muito choro. "E ele continuava". Em meio ao pesadelo, não usaram camisinha em uma das vezes e ela engravidou. Ele queria, numa tentativa de "segurar o casamento", ela obviamente não: seria "filho de uma violência". Apelou ao Cytotec, um dos mais conhecidos métodos abortivos, e após, o corpo seguia em pranto. Sangramentos excessivos, correntes. "O que está acontecendo dentro de mim?". Enquanto isso, descoberto o aborto, ele ameaçava denunciá-la. Outro jato. Sou catapultada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no hospital, a adolescente me mostra seu caderno de desenhos. De um modo geral, motivos pueris de casas e árvores. Em um deles, uma grande maçã mordida. Pousa os dedos sobre a caixa de lápis-de-cor, desliza sobre alguns deles e finalmente escolhe um para continuar colorindo. Segue sonhando um mundo de traços e linhas mágicas. Conta para a documentarista que não sabe do pai, há muito ausente. Lembro que a mãe havia dito a psicóloga, num desconcerto, que a filha desejava ganhar uma Barbie de presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às portas fechadas, um grupo de médicas monta um painel de argumentos que apóiam a decisão pelo aborto de uma mulher estuprada. Pelo mosaico de relatos, construímos um perfil, ainda que desfocado, daquela evangélica, meia-idade, que sentiu muita vergonha em contar a alguém sobre o ocorrido e, quando finalmente desabafa, é alertada por uma "irmã da Igreja" a procurar um médico. Não passa pela sua cabeça a possibilidade de uma gravidez, teme por alguma doença. Ao final das explanações, o médico pergunta se há algum indicador de "falsa alegação". Não há. Do lado de fora, a mulher aguarda sentada em uma penumbra do hospital; corpo encolhido, mãos nos joelhos, os pés metidos em sandálias simples que espalmam no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma torneira pingando é tudo o que vemos ao ouvir o relato de uma mulher que passou por cinco abortos, quase sempre orquestrados por uma mãe de anjo. Em um deles, à procura de uma ajuda mais "profissional", pagou mais caro, mas o trabalho foi menos violento. Foi dopada e simplesmente apagou. “Eu morri”. Seu discurso, caracterizado pela desinformação, vai do riso ao choro. Inicialmente esboça uma risada, sem-jeito, como se não soubesse como agir com a própria matéria da narração ou como se soubesse, e o riso se originaria exatamente daí, da gravidade dela, para depois acabar em tom de arrependimento declarado, em lágrimas que não vemos com os olhos. Apesar de ter uma filha, fruto de uma gravidez desejada, anuncia uma solidão dolorida e a culpa por um crime, não do ponto de vista da lei, mas de outra ordem. "Eu sei que eu vou ter o meu castigo. Aqui se faz, aqui se paga. O castigo vai vir de Deus". A torneira não cessa de pingar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À época, sem emprego, com dificuldade até para se sustentar, engravidou por descuido e decidiu pelo aborto. Uma noite toda vivendo um pesadelo que custou a passar. O corpo convulsionava, a temperatura despencou. Sentia-se tão gelada, mas tanto que "parecia que eu tinha morrido. Acho que eu morri". Passado isso, foi denunciada e ficou presa por semanas. Os braços inchados pela algema apertadíssima, a dificuldade em ir ao banheiro por conta do revezamento de policiais que a vigiavam. "Tantas mulheres fazem isso", diz o delegado, "eu não sei o que você tá fazendo aqui". Acabou sendo solta e, no momento da gravação, ainda sem entender a motivação da denúncia de uma pessoa tão próxima dela e dos seus. "E olha que ela também já fez aborto..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra, basicamente do universo das subjetividades narrativas – dedicado "às mulheres que generosamente contaram as suas histórias", vozes vencidas como &lt;em&gt;esta&lt;/em&gt; – que remetem diretamente ao objetivo, à realidade concreta, palpável, traz ainda um arcabouço de falas de profissionais dos campos do Direito e da Medicina que pontuam com dados técnicos, estatísticas, questões da bio-ética e da filosofia. Registra-se, e o registro só pode nos trair, é a sua função, 70 mil mortes por abortamentos em países em desenvolvimento que possuem leis restritivas. A condenação como um duplo fracasso, característica latente do aborto – o fracasso da sociedade, o fracasso do corpo – potencializada pela ineficácia de uma lei que aumenta riscos, culpas, discrepâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se fiz mal, sofro a punição: sou culpada, serei julgada por Deus. Errei gravemente diante de Deus e diante de você.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma discussão que passa pelas histórias individuais e pela História coletiva; pelas micro-realidades, fábulas femininas, que dizem respeito a um percurso fêmeo. Executando esse movimento, se aceitarmos uma história da trajetória da mulher (idéia que deve ser devidamente problematizada tendo em vista as múltiplas origens e os diversos contextos culturais), história vencida, esta história passa por uma história do corpo, cujo tomo central é atravessado pelo bólido utópico da &lt;em&gt;autonomia&lt;/em&gt;. História, toda por ser escrita e posteriormente apropriada como &lt;em&gt;direito&lt;/em&gt; – à história, ao corpo, ao desejo, ao deus –, construída com base na premissa de um corpo material e de um corpo simbólico, ou de uma dimensão simbólica do corpo, ambos expropriados. História de uma miríade de corpos de variados donos, de infinitos procuradores – o não-pertencimento de si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que ela seja submissa à sua autoridade e os dois à Minha vontade. Eu a formei de sua costela: ela não é uma estranha, nasceu de você. Modelei-a conforme seu corpo. Ela saiu de você e não de outro lugar. Governe-a pela razão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se despedir, deixando o hospital, templo do crime legitimado, a mãe da adolescente desconfia de um sofrimento que passa, já que o corpo segue sem aceitar. "A angústia continua. Não mudou nada. Eu continuo sentindo que faltou alguma coisa para fazer. Sentimento que não dá nem para explicar direito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;em&gt;Le jeu d’Adam&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-8074147926906044239?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/8074147926906044239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=8074147926906044239&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/8074147926906044239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/8074147926906044239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2010/01/dos-outros-olhos-de-cao.html' title='dos outros, olhos de cão'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-8960824716769955475</id><published>2009-02-14T23:51:00.010-02:00</published><updated>2009-02-15T00:04:50.464-03:00</updated><title type='text'>Des-honra.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A Patricia Misson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ah, o movimento interior, o estardalhaço intrínseco a que entro em contato ao te permitir todas as noites.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo que não retenho nem compreendo, leiga e alheia que sou, me acorda na cadência das horas negras. Me sopra barbaridades no ouvido direito. Vem bulir de madrugada. É um espírito ruim e coxo, que debocha do meu pudor, da minha higiene íntima, das pregas intactas do meu cu.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou mosaico de retalhos, costuras, fissuras, arrombamentos. Acendendo duas velas, uma pra deus e a outra, irmanando-me com a primeira puta espancada desta madrugada, humilhada, corpo estilhaçado estendido no colchão úmido, boceta arrebentada pelo gargalo da garrafa de cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Principia num gelo apavorado que desce deslizando pelo dorso e pára no acento agudo e convexo da cervical, pedra fria que frita no lombo em chamas e depois chora. Um saber sem saber. Daí vem os cheiros dos fluídos todos mais o suor, o sebo da nuca e dos fios de cabelo pousados nos lábios. Um cio que rasga a noite da cidade. E então concebo presença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miríade de olhos invisíveis: abrem-se aos estalos, paulatinamente, espocam em diferentes pontos do espaço, luzes que descortinam a oferta de deleite; então escondida pela penumbra, é agora exposta no proscênio. E ficam a cuidar e a rodear, perfazendo uma mandala diabólica de êxtase. Vigiado, imóvel, um corpo vulnerável se revela na ribalta, ao sabor dos desejos da audiência sedenta, e, depois, alvo de vozes e toques, é objeto de um rito de cânticos momescos, um assédio suprasensorial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergo-me em sobressalto e é tudo mansidão de repente, coexistindo apenas respiração e desvario. Urro com tudo do de dentro, insensata, tomada, arranhando a garganta porosa. E o olhar que me diz em silêncio, mesmo sem querer ser mensagem, quando contempla - porque eu sei que me vê -, é de uma eloqüência muda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suspenso mantenho a noite. A vida toda por um momento de lucidez, de embriaguez; estar de fato imersa no Sentido. A poesia desse desespero, das lágrimas que me correm, fervilhosas, incandescentes e tudo num arrebatamento que experencio consciente, luminosa e, enfim, comovida com esse deus que me invade de todo, por dentro de mim. E avança, demoníaco. E o meu dentro é agora de oração, de prece comungada com um falo há muito excomungado, que me ocupa as dimensões todas, os orifícios – vermelhuscos, gelatinosos, imensas dilatações oceânicas que abrigam esse Senhor que me detém e rende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diabo me rodeia. Meto-me à escrita, à procura de um Deus. Não sei o que fazer com essa mácula. As palavras começam a me despetalar&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-8960824716769955475?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/8960824716769955475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=8960824716769955475&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/8960824716769955475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/8960824716769955475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2009/02/des-honra.html' title='Des-honra.'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-261366808775513381</id><published>2007-12-18T04:14:00.000-02:00</published><updated>2007-12-18T04:16:09.445-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A Patricia Misson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dizem que ela ia balançando a sainha que subia e descia nas coxas azeitadas. Umas pernas que sambavam, meu Deus. Um passo mais assim e já mostrava as dobras, os culotes caprichados, os sulcos e todas essas coisas que as mulheres de verdade têm. As têmporas molhadas, os fios negros umedecidos pelo suor dos movimentos de há pouco. Amorenada, de beiços e tudo, e uns olhos de. E dizem que ia. No rebolado do andar, ainda guardava no corpo encharcado de rum o ritmo diabólico da dança, tinha quê de santeria. A pele trazia o fartum dos charutos que pendiam das bocas dos senhores rotundos. Na memória, as melodias todas e a orgia dos corpos no salão – mosaico de balés infernais.&lt;br /&gt;E dizem que vinha da casa de show mais suja e famigerada da Velha Havana, cortando o silêncio sonolento daquelas alamedas, acordando espíritos e entidades. Despertava a recente manhã daquelas ruas antigas, povoadas de bares e mulheres envelhecidas que contavam as histórias dos tempos outros, coloniais – relatos enfeitiçados pelo tempo.&lt;br /&gt;Em cadência sincopada, tomou a rua do Obispo, onde os deuses do comércio ainda não ardiam, febris. Chegando ao porto, de onde antigamente se partia e vinha da Europa, sentiu. Num simplesmente, sentiu-se. Percebeu-se e descobriu que era.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-261366808775513381?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/261366808775513381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=261366808775513381&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/261366808775513381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/261366808775513381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2007/12/patricia-misson-e-dizem-que-ela-ia.html' title=''/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-1994660169367038485</id><published>2007-12-14T02:16:00.000-02:00</published><updated>2007-12-14T02:23:59.078-02:00</updated><title type='text'>Exílio</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Rebuliço. Dezenas de cadeiras se arrastam, cadernos se agitam. Meninas enrolam os cabelos úmidos em coques desiguais, meninos os desfazem. Risinhos. Depois, gargalhadas. Bochechas febris. Suor nas têmporas. Ofegantes, os pupilos suspiram, egressos da quadra. Agora na sala, os bocejos se avizinham - perspectiva: avalanche de horas chatas.&lt;br /&gt;O lufa-lufa é laconicamente interrompido pelo som metálico, cada vez mais próximo, dos saltos de Tia Wanda. Não havia dúvida: aqueles tlec-tlec sempre puderam ser identificados há anos-luz. Tlec. Tlec. Tlec. Tlec. À medida que o barulho algoz se intensificava, o silêncio também aumentava. Tlec, tlec, tlec, tlec. Naquele momento, apenas um som existia. Tlec, tlec, tlec, tlec. Ela vinha. Tlec, tlec. Na porta, um início de sombra. Tlec. Tlec. &lt;br /&gt;Ei-la.&lt;br /&gt;1,50m de altura, inflacionados pelo sapato alto, vestiam saias longas e puídas. Os óculos e a gengiva se destacavam. Havia ainda a ausência de um dente lateral, percebida apenas nos dias de sol. Eu tinha certeza: Tia Wanda era um desenho animado.&lt;br /&gt;A professora rapidamente distribuiu figuras somente com contorno, sem qualquer cor ou preenchimento. Eram animais, flores, planetas. Todos pálidos pelo branco do papel. "Mãos à obra!". Giz de cera, tinta, pincel.&lt;br /&gt;Mas, decepção, a minha figura era só um menino. Nada desses bichos que povoam os mares ou as florestas, nem mesmo plantas carnívoras e gulosas, ou ainda objetos espaciais. Era só um menino, desses que eu via todos os dias e que eram inconvenientes e cheiravam mal. Torci o nariz. Passada a frustração, atirei-me à empreitada.&lt;br /&gt;Ao cabo de 20 minutos, obra de arte se via. Um garoto pintado de marrom-terra com cabelos verde-alface caracterizava meu desenho. Expunha-o em cima da mesa, esperando pelo sinal de entrega. Só que Aldo, o menino da carteira ao lado, observava aquela mancha marrom-verde com ponta de riso nos lábios. Não se contendo, comunicou a vizinhança. Logo, um grupo já ria efusivamente e sussurrava comentários aparentemente muito engraçados. Olhava eu o meu menino-borrão e me afeiçoava ainda mais a ele. Vontade de beijá-lo. E se ele tivesse gosto, cheiro, fosse macio? E se saísse do papel e me envolvesse em abraço? Qual seria o tom de sua voz, o contorno de seu sorriso? Num lance, pousei minha cabeça sobre o papel e lá fiquei. E, me parece, a aula acabou.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-1994660169367038485?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/1994660169367038485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=1994660169367038485&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/1994660169367038485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/1994660169367038485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2007/12/exlio.html' title='Exílio'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-7925538294544466220</id><published>2007-01-28T20:58:00.000-02:00</published><updated>2007-01-28T21:03:36.468-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A intervenção da vez invadiu um vagão da linha 1 azul de metrô e vinha pela voz murcha e inerte da mulher maltrapilha que segurava uma criança no colo, na cadência típica dos pedintes já gastos das locomoções públicas, nos versos vomitados em toada única. Se gastos estão, gastos também são os ouvidos dos usuários escaldados de tantos dias seguidos de tantos dias seguidos de tantos dias que, de tantos, não passam de quaisquer, mais uns, mais uns momentos, iguais, de igual existência precária, corpo e alma fatigados - punhados de cenas que se repetem. E eles que, na luta por um espaço entre abarrotados vagões de períodos-de-pico, na briga pela sobrevivência até o fim do trajeto, que sonha pela conquista do bate-cartão, eles.&lt;br /&gt;E ela ia cantarolando ladainha, a mulher-esfarrapo: os olhos fundos, foscos, famintos; a pele manchada, ressequida, de um preto cinzento. Com a criança pequenina, que quase some nas mãos dela, compõe personagem de Portinari. Cândida, a voz passeia lenta, longa, lenga, lenga, lenga. Serpenteia pelo vagão, vai, volta; reverbera nos nossos ouvidos; caminha entre os assentos e os usuários; invade conversas, monólogos, solilóquios, diálogos interiores; remete a momentos; revolve lembranças, emoções, causando... interferência. Vozes que convergem, se imiscuem. Ruído.&lt;br /&gt;- Pááára cu'issu.&lt;br /&gt;Vozes sobrepostas, ritmos dissonantes.&lt;br /&gt;- Eu ti conheço, cê fala todo dia a mesma coisa.&lt;br /&gt;Vozes que conflitam, buscam espaço comum entre os espectadores.&lt;br /&gt;- Essi filhu nem devi sê-sêu.&lt;br /&gt;A um metro de distância, o homem-fantasma. Empoleirado nos apoios do vagão, metralha a cantoria alheia. Aos resmungos, enfraquece discurso da mendicância. Estações que passam, se alteram, outras...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-7925538294544466220?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/7925538294544466220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=7925538294544466220&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/7925538294544466220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/7925538294544466220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2007/01/interveno-da-vez-invadiu-um-vago-da.html' title=''/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-115560868392154009</id><published>2006-08-14T23:21:00.000-03:00</published><updated>2007-01-20T02:42:35.403-02:00</updated><title type='text'>Reminiscências...</title><content type='html'>- Que quer dizer dedo do meio?&lt;br /&gt;- Manda tomar no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espelho refletia curiosa pintura: com tronco envergado, pernas erguidas e arcadas, uma pré-adolescente examina sua rosa íntima, com labirintos e sulcos desabrochados, calcando sua análise no reflexo que obtinha da imagem. Dedilhava-se. A pele flácida e viscosa se avermelhava a cada toque mais veemente, a cada riscar de unha, a cada investida mais profunda. Os dedos, já umedecidos de substância pegajosa, não se cansavam. Ocupada que estava em sua empreitada, não percebia que eu a observava, entediada. &lt;br /&gt;Sempre que ia em casa, Clô ritualizava sua visita, antes das brincadeiras de bonecas e das imitações de cenas noveleiras de casais, dirigindo-se até o quarto de mamãe pra se olhar. Dizia que era de precisão esse hábito. (As mulheres de sua família viviam sob a sina de uma doença vaginal hereditária, e ela deveria freqüentemente se tocar a seco para verificar qualquer mudança no local.) Dizia também que na própria residência não poderia fazer o exame, já que não gozava de privacidade por lá e que só se sentia à vontade na minha presença. &lt;br /&gt;Um dia, pediu favor. Aproximei-me (sempre mantinha certa distância, com medo de molestá-la). Clô explicou-me que não poderia mais prosseguir sozinha em sua prática. Que, como nunca surpreendia qualquer alteração, deveriam ter seus dedos se acostumado àquela textura. Agora, ela precisava de outro meio para o toque. Solicitou ajuda. Explanou rapidamente acerca dos novos procedimentos que o exame necessitava, orientando-me na maneira pela qual eu deveria movimentar minha língua na região. Dessa forma, a partir de então, que nova pintura o espelho passou a refletir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já criança, Menininha tinha lá suas obsessões. Tinha desejo de Deus. E como se excitava no ambiente sagrado! À época do Catecismo, deveria ir religiosamente à Igreja, todos os domingos. Quando faltava - por melancolia, preguiça, sono ou cólica –, flagelava-se com pensamentos de expurgação. Como ser perdoada? Nesses casos, passava a semana inteira como uma santa. Era afável e justa com os demais, tinha bons olhos para todos, compreendia atitudes questionáveis, isolava-se no silêncio, privava-se de companhias e excessos. (Que tudo passasse depois.) Só não podia, absolutamente, resistir ao quarto escuro. Lá, sozinha e acompanhada de demônios, fazia o diabo consigo mesma. &lt;br /&gt;A despeito de que, nas semanas normais, em que não faltava com a palavra e com a freqüência, a vida seguia bem menina. Menininha, menina que era, vivia a se envaidecer, a se ajeitar, a se colorir e descolorir. Rezava ao pé da cama, escondia-se no cobertor, tomava café com torradas, sorria, pensava em bicho-papão e na professora. E, quando do domingo, experimentava ápice. &lt;br /&gt;Antes de adentar solo divino, deixava-se surpreender pela imponência arquitetônica. Fazia o sinal da via crucis e ia. E como. Na eminência de se acomodar em um dos balcões, já vivenciava as alterações de seu corpo. Umedecia-se toda. Os sons, o eco, o cheiro eram os primeiros a incomodá-la. Depois, as Imagens. As Imagens. E Menininha seguia as horas matinais domingueiras. Esforçava-se para manter os lábios em movimento a fim de que se simulasse oração; mantinha feição séria com intuito de denunciar devoção. A Missa seguia lá fora. Lá dentro, labaredas. Um fogo que ardia – imagens e fantasias. Uma quentura entre as pernas. Era Deus?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-115560868392154009?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/115560868392154009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=115560868392154009&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/115560868392154009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/115560868392154009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2006/08/reminiscncias.html' title='Reminiscências...'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-114705575193205730</id><published>2006-05-07T23:21:00.000-03:00</published><updated>2006-05-14T01:44:37.290-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Recomendava aos iniciantes na difícil arte de escrever: 'menino, aterra esse mar e mata essas gaivotas. O resto demonstra alguma coisa apreciável. Quando você principiar a escrever, tome um trem aqui, viaje até a Central de 2ª classe, e terá assunto, não para um pequeno conto apenas, mas para um livro de muitas páginas'."&lt;br /&gt;(João Antônio, acerca do conselho de seu mestre Lima Barreto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Felipe Jordani&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente do contato rotineiro com os transportes públicos, era tudo calmaria no ponto final da linha 457 Metrô Penha-Taboão Paraíso. Brisava. Culpa do horário. Pouca gente a andar por aí, pela cidade feia, àquela hora da tarde. Da estação suja, do instante morto, da vida cinza dos meninos encardidos e das pombas pedintes. Pois que, da sujeira, da sobre-vida, do pálido daquela espera de partida do ônibus, auferia-se alguma beleza. Invenção, na certa, daqueles que se habituaram a ver poesia em tudo. Gatos pingados que éramos, pausávamos a vida ali, sentados no assento gruda-gruda, olhando o nada que eram aquelas quatro horas vespertinas. Um fio de vida escapava d’alguma respiração - notada em decorrência de um suspiro perdido -, do trec-trec de uma embalagem de salgadinho ou dum toque-susto de celular. Era assim. Olhares infinitos, perdidos n’algum pensamento vogante para além do vidro fosco, ensebado. Pensamentos suspensos que conversavam por meio da presença-ausência daqueles. Que éramos assim. Pingos de gatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No finalmente, homem do volante, função: motorista, juntou-se a nós; veio conviver, existir. Alcançou degraus e, num pulo, tomou seu posto, seu pequeno trono. Na eminência de iniciar reinado - já havia acionado a máquina e nós tremíamos com o motor há segundos -,foi questão de dois moleques subirem no ônibus. Maltrapilhos, carregavam caixotes-de-engraxate. De olhos amargos, eram encardidos. Aproximaram-se com passo e linguagem. Num requebrar de corpo, traziam odor e palavrões, expressão, gírias da rua, da viração de todo dia. Por pur-favor-tia-deixa-nóis-passá, o cobrador, que era cobradora, consentiu passagem e eles se dobraram, redobraram, entortaram e espremeram, e venceram a catraca esguia. E logo foram marcando presença, farejando ambiente. Enchendo recinto de cheiros e grunhidos, eram um destaque. Reluziam. Sobrepujavam presença. Traziam a vida para os passa-passageiros - natimortos -, revolviam terra de ascos, medos, raivas e sente-mentos daqueles que eram pingos despertos pelo fator hostil, pela interferência externa que abalava a apatia, a sonolência. Interna. Daqueles que eram gatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos. Planejávamos bote. Espreitávamos. E os moleques nem aí. Eriçados, mordidos que estavam, sacolejavam para o lá e para o cá. O ônibus nem havia partido, eles já faziam vento no nosso rosto. Iam e vinham. No corredor-passarela, exibiam-se num sem-fim-fugaz de deleite efêmero-eterno - raro. Sambavam. Na brincadeira de mão, na gozação pueril e cruel que mantinham reciprocamente [O deboche dos meninos da Rua é sempre doído e triste - cousa fantástica.], no alisa-bate-ri, a coisa foi esquentando. Entardecia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi que os dentinhos tortos à mostra e o reverbera das gargalhadinhas ardidas cederam às feições fechadas e aos gestos truculentos. O espetáculo, com novos matizes, tornou-se terrível, hipnotizante. Os olhares daqueles que antes fugiam, se escondiam, fingiam indiferença, foram implacavelmente arrastados para a cena apresentada - sempre os mesmos atores sociais do palco mais humilhante. Os olhares torciam, regozijavam-se - eram público do ringue armado, uma platéia eloqüentemente muda. Segundos de êxtase. Foi então que. Vítima de um soco mais contundente, um deles perde o equilíbrio e desmonta-se no chão de alumínio. Blum enorme, fundo, alto. Pancada de ressonância. Ecos. Foi o sinal, o béééé que noticiava fim de ato e hora de revanche. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cobrador, que era cobradora, nitidamente excitada e semi-erguida de seu banquinho, pôs-se a grunhidos guturais, estridências incontroladas. Tomou rédeas. Tomou de volta favor concedido e des-mandou, anunciando sentença: fora-os-dois. Imperativo. Com ponto de exclamação. Muitos. E todos os nós que éramos aplaudíamos epílogo perfeito, aprovávamos desfecho. Éramos um bravo! em uníssono interno. Satisfação geral e frenesi. Éramos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos dois, não contestaram pito, lei de abaixa-a-cabeça-vagabundo se respeita. O de pé já foi saindo, descendo, batendo pé nos degraus. O caído, desmontado, levantava corpo e descia cabeça - duas vezes vencido, e tantas... Em direção à porta, dirigia-se. Seria o fim de tudo, mas. Antes, voltou-se para os nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase vimos fisionomia [não víamos mais nada]. Horror. Derrotado, carregava acessório singular: filete líquido rasgava-lhe parte da face. Não vimos. Virou-se. Deu-nos suas costas, ninguém ouviu passo, flutuou para fora do ônibus e foi ter com a Rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em instantes, éramos pingos. Sem mais cheiro-cor-sabor. O veículo arrancou e a vida ficou. Lá dentro, zumbis. Nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-114705575193205730?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/114705575193205730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=114705575193205730&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/114705575193205730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/114705575193205730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2006/05/recomendava-aos-iniciantes-na-difcil.html' title=''/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-113666740222860971</id><published>2006-01-07T18:54:00.000-02:00</published><updated>2006-02-05T03:57:59.170-02:00</updated><title type='text'>Conto imoral do silêncio e dos diálogos</title><content type='html'>Era sempre assim. Quando contrariava sua rotina caseira e caminhava de casa até a Igreja, para levar a travessa de torta de palmito que a sua mãe preparava toda semana para o padre, sempre vivia a mesma angústia. Era colocar os pés na rua de paralelepípedos grossos e desnivelados, ajeitar a redonda travessa na cintura - que já ensaiava de lhe escapar das pequenas mãos - que pressentia o porvir, mal-estar. A garota tinha esse vício desde os 7 - e, agora que já alcançava a casa dos 12, ninguém tinha mais esperança de cura. A família vigiava, alarmada; os vizinhos alertavam, fuxiqueiros. Aconteceu que, nesse dia, acordara especialmente propensa a ele. Logo de manhã, a mãe já havia reparado - "Ih! Hoje ela acordou pensa pr'aquele lado". E que lado? - alguém poderia anunciar, por falta de observância. Aquele, uai - aquele do tal do vício. &lt;br /&gt;Mariana de Souza Cruz, menina de protuberâncias precoces, dotada de carnes novas e recém-volumosas, vivia a época do sacrifício da infância, do holocausto da meninice - nascedouro de vontades... E como morria de vontades! Ansiava por loucurazinhas e novidades, sempre no afã de saciar o vício. O tal. Mas conto que foi, pé-ante-pé, equilibrando-se pelas ruas de Ouro Preto, com suas pernas morenas à vista, seus dois inéditos botões de rosa pula-pulando e o dançar do caminhar - requebrado. Foi perfumar a rua com o cheiro de menina-moça; foi acenar existência. Era uma maldita e não sabia. &lt;br /&gt;A luz da vida do meio-dia inundava o espírito, estimulava desejos, incitava à ação. A rua, tão clara e sonora, com seu quê urbano-vivaz, trazia beleza e riqueza. Tão contrária ao universo do eu-sozinho, do vazio escuro de ser um, um-só, um-nada. Seu mundo íntimo se mostrava tão discrepante daquela diversidade de seres, sensações, sentidos; daquela polissemia citadina que ela agregava a si, que a enfeitiçava. Aura. O quente do ar, do corpo, da energia que advinha da gente que passava por ela, ao redor dela, através dela - as pessoas a atravessavam - e que partiam deixando odor, olhar e nó na garganta. Frustração: ensejo perdido. &lt;br /&gt;É: Mariana tinha gana de gente; fome de interação; ânsia de troca, de fusão de almas, de compartilhamento de vozes, dores, toques e fluídos. Sofria da dependência da comunhão com o mundo e, insaciável, queria sentir a todas, a todos, a todas as pessoas. E se ocupar espaço é uma forma de anunciar existência, andar nas ruas é uma forma de se fazer presente, de ser percebido. E percebido por quem? Pelos outros quase-existentes, pelos outros também pouco percebidos. Mas sempre pelos outros. E Mariana partia, atormentada por questões primeiras. Como gerar empatia, impacto, atenção? Como disparar mensagem com sucesso? E como prosseguir com essa troca de mensagens-estímulo, compartilhar sensações-emoção, interagir com os tais outros nesse dito espaço público?&lt;br /&gt;Não titubeou: sacou flecha das costas, preparava o lançamento, escolhia alvo - início de ritual. De princípio, habituou-se a farejar campo de mira, perscrutar áreas de atuação. Mas aquela gente escapava de suas garras - multidão sorrateira, sempre atarefada, deixava a menina na triste solidão de estar no meio do aglomerado. Abandonada, partiu para o tudo-ou-todos, atirando aos montes, aos baldes, para todos os cantos, em sua busca desesperada pelo outro. Assim, tentava laçar com os olhos qualquer existência que se aproximava - devorar. Suas duas bolas de fogo, alucinadas, ansiavam pela cooptação alheia. Procurar, procurar; caçar. E, no impulso incontrolável, deu bote:&lt;br /&gt;"Que horas são, seu moço?" - despejou com o coração no bate-bate. "Não tenho relógio", foi o retorno. "Eu sei, era só p'ra puxar assunto" - rasgou-se toda com a navalha da franqueza. "Seu moço" não moveu feição, considerou-a muito, decerto, com olhar sem desvio, de análise. "Sou Mariana", antecedeu-se. Outro silêncio, regido pelo tal olhar, pairou. Mariana era só súplica, com fartum de quem implora. Ao menos, não era mais apenas-uma, consolou-se em segredo. Eram dois, eram ela-ele, ali, mergulhados num estado estático, num ápice trágico-teatral, no segundo cênico que vale a vida toda. "E eu, Reinaldo", disse, finalmente, silabando as palavras, com cuidado para que não lhe escapasse o momento-fala. "Sua graça toda é Reinaldo de quê?", deu prosseguimento, de imediato. Não houve resposta. "Seu moço" prostava-se diante dela, irremediavelmente mudo. "Diz nada por ca'de quê?", interrogou, com tom de estranhamento. Ele a fitou sério. Puxou o ar pelas narinas, fez que ia responder, ganhou um segundo a mais de tempo e disparou: &lt;br /&gt;"Menina, não sou de desperdiçar palavra que vá bulir com o silêncio" - epílogo. &lt;br /&gt;Purificação.&lt;br /&gt;Conto que, ali, eles existiram por mais uns instantes, contemplando tão singulares existências, sentindo um ao outro, cheios de verdade, corpo, cheiro, magia, angústia, prazer, paralelepípedos, vontade, hormônios, palmito, olhos, desejo, padre, energia, travessa, doença, seios, solidão, diálogo, Igreja, mãe, vida... e silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-113666740222860971?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/113666740222860971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=113666740222860971&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/113666740222860971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/113666740222860971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2006/01/conto-imoral-do-silncio-e-dos-dilogos.html' title='Conto imoral do silêncio e dos diálogos'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-113666715640698429</id><published>2006-01-07T18:46:00.000-02:00</published><updated>2006-09-20T19:39:26.663-03:00</updated><title type='text'>JURO: não sou Clarice</title><content type='html'>Largada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no banheiro com a meta estipulada: banhar-se. Ainda munida de vestes, pudores e ais, trancou-se na futura sauna a qual o cômodo doméstico se transformaria... se houvesse tido tempo. O fato é que virou o trinco, uma vez. Não sabia porque fazia isso, estava a sós em casa. Mas, mesmo assim, sempre cismava de fechar a porta do banheiro quando de sua utilização. Não foi diferente naquela noite. Foi diferente naquela noite.&lt;br /&gt;E assim, na seqüência de ações pré-determinadas, mirou-se no espelho. Ah, o espelho. A questão do espelho merece sempre um tomo à parte. Mas tantos já o fizeram e tão bem sucedidos e... Mirou-se. Viu, como sempre, pessoa desconhecida.  Encarou a prístina face. Aquela. Olhou-se muito, decerto. Costumava se observar muito. Detalhes defeituosos, mistérios que seus olhos evocavam, nuvens de elucubrações, lembranças e desejos. Ansiava o mundo pela própria face. Sorteava sonhos... Admirava-se, na verdade. Um querer afagar-se, uma vontade de si mesma. E tantas vezes e tanto tempo desprendido a se olhar que chegava a se apaixonar pelo o que era, pelo o que seria. Admirava-se, na verdade, mais pelo o que era, pelo o que era capaz de ser. E ainda não o era. Mas, ser capaz ou se saber capaz já não é uma pontinha do ser?&lt;br /&gt;Depois de saltos e vôos produzidos graças às evasões estimuladas pela sua face, iniciava-se o ritual quase doloroso, quase mecânico de se despir. Peça-por-peça, pele-por-pele, pêlo-por-pêlo, lâmina-por-lâmina - cicatrizes. Já nua nos seios, cotovelos, sexo e joelhos, ainda ostentava par de meias. Gostava-se assim: ridícula e indefesa: picaresca em suas formas desajeitadas, suas massas disformes, amontoado de carne - corpo -; suscetível sem máscara ou casca, tão sujeita e à mercê de perigos e agressões... tão exposta... tão real... - comoção. Amava-se para sempre assim, amava-se para sempre naquele instante. Uma foto intrínseca, um recorte até-que-enfim verossímil. &lt;br /&gt;Segundos e estava lá na gaiolinha de vidro. Certificou nu dos pés, era toda nu. Equipada de ausência e vazio, prestes a girar torneira, pressentia água. Dilúúvvvio... Traumatizando o seco do corpo, umideci'alma. Encharcou-se. Acalentava com as mãos superfícies e invadia orifícios. Em seu desbravamento inconsciente, descobria texturas, odores, sensações; era terra à vista, era expedição explorada. Mas, ameaça, logo interrompeu viagem, sinal externo. Nem notou-se esbranquiçada pela espuma, ancorou navio e foi observar ao redor. O cenário se constituía, haveria ato trágico. Constatou cheiro-queimado e parca fumaça no teto. Repousou sabonete, receio. &lt;br /&gt;Não poderia classificar o que foi aquele susto, refúgio da alma. Tralma. Um relâmpago no coração. Não poderia. Não saberia precisar sucessão de sentimentos-súplica. Tampouco o desespero incoerente daquele "instante-já". Sabe que ouviu sinos de ouro tocarem. Sabe também que viu faíscas contínuas escaparem do objeto que, inicialmente, jorrando cachoeira, passou a cuspir raios. Clarão no teto, luzes tzzzz. Um curto dentro de si. Espanto. E o impulso primacial: a fuga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   Agora: selvagem.&lt;br /&gt;baque certeiro-incerto de-de-desejo de sumir é o ddesespero que escorre pelos OLHOS e pelas células desse corpo MALDITO    ....    !!      DEUS     violenta mãos que puxam-que-puxam box que emperra não sai do lugar bicho acuado pânico crescente faíscas puxa mais uma vez aaaaaaaaaa ninguém vem ........ não há saída tempestade merda! sangue, dedos adrenalina do medo da dor da angústia da repuxa-empurra o vidro imóvel vai, vai, vai vontade de ir embora de vez mais-uma-vez e gesto, gesto, gesto BRUSCO!.... foi! ah&lt;br /&gt;Livre, fugiu. Foi para longe. Nua aos pingos, foi deixando a água dos pés molhados registrar o caminho da liberdade. Parou de súbito e, estranho, não havia alívio: sabia que agora viria o pior. No estaticismo vegetal externo, olhar parado, expressão de choque, debruçava-se sobre o seu tumulto interno. Tomada pela confusão que flertava com raiva, vergonha, melancolia, desmontou-se no chão. De joelhos, ao feitio da oração, ainda conseguiu esboçar gemido pungente, e entregou-se à prece epifânica. Pranto geral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-113666715640698429?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/113666715640698429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=113666715640698429&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/113666715640698429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/113666715640698429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2006/01/juro-no-sou-clarice.html' title='JURO: não sou Clarice'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-112883035688826191</id><published>2005-10-09T00:58:00.000-03:00</published><updated>2005-10-09T00:59:16.893-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Mais que liberdade, vertigem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-112883035688826191?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/112883035688826191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=112883035688826191&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/112883035688826191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/112883035688826191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2005/10/mais-que-liberdade-vertigem.html' title=''/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-112294063298128717</id><published>2005-08-01T20:55:00.000-03:00</published><updated>2005-08-10T23:20:37.653-03:00</updated><title type='text'>[1ª versão desta, que, inicialmente, é uma] Peça para ser lida</title><content type='html'>&lt;em&gt;(chega a Mulher. Ofegante e desesperada. Enquanto fala, em tom histérico, alto, gritado, leva as mãos aos cabelos e anda de um lado para o outro, os olhos são lanças que amedrontam a platéia. Poucas peças cobrem-lhe o corpo. Está descalça)&lt;/em&gt;Eu perdi, eu perdi! Meu Deus! Onde ela está? Preciso encontrá-la. Tanto barulho: entulho. Tanto entulho, meu Deus, mas eu preciso procurá-la. Eu preciso encontrá-la... Meu De...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(corte brusco. Num outro canto do palco, e percebida pelo jato de luz que lhe foi despejado, é ela. A mesma Mulher, que sendo outra, ainda é a mesma. Fala num ritmo calmo e alienado, quase psicótico em sua obsessão lenta e dolorida. Nas falas diferenciadas, acelera a narrativa, em voz aguda, sua feição passa a ser frívola. E assim vai alternando os tons)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Talvez ela ainda esteja na adolescência pank, nos 15 anos que às vezes me volta. Nos 13. Talvez ela ainda esteja na hemorragia precoce. No vermelho daquele sangue tão singelo e inédito. &lt;em&gt;Empalideceu todinha, moço, precisava de ver, mirou-se no espelho e caiu no chão, como se tivesse levado um susto e morrido do coração!&lt;/em&gt; Um susto. Talvez ela tenha de fato se assustado e se escondido atrás do muro. O muro. &lt;em&gt;Daí a mãe começou a rezar que nem louca, chamando Deus e o mundo,  palavra que nunca ouvi tanto nome de santo na minha vida! &lt;/em&gt;Os sinais vieram cedo, como transpor o muro? Como encontrá-la agora? Talvez devesse procurá-la nas mãos ásperas e grosseiras daquele tio que me tocava em particular. Ou talvez nos dedinhos curiosos do primo que me deflorou enquanto eu, tão generosa, fingia que dormia. Quem sabe, então, no pênis do vovô que... &lt;em&gt;A menina toda desmaiada na maca, com o soro estourado na veia, branca que, cruzes, mais parecia morta que desacordada.&lt;/em&gt; Penso, às vezes, que ela esteja presa nas memórias úmidas daqueles fins-de-semana no alojamento, em que os garotos nos mostravam como era "brincar de verdade"... &lt;em&gt;A mãe ajoelhada no chão, chorando e rezando numa disparada só! Ai, moço, olha só o meu braço, fico toda arrepiada só de lembrar!&lt;/em&gt; É estranho lembrar... Lembrar daqueles filmes que o menino mais velho da rua nos mostrava - sempre tão diferentes daqueles que eu estava acostumada a ver na tevê - e me obrigava, sempre a mim, a repetir a cena em que a mocinha ficava amarrada na cama e com os olhos vendados, durante horas. &lt;em&gt;Foi uma cena dos inferno, o moço não imagina! E o médico que não chegava por um nada?! Uma aflição, moço, uma aflição!&lt;/em&gt; Ou será que eu deveria procurá-la na gaveta das roupas íntimas, nos lápis H5 de meus desenhos, na mocinha de três seios de meus sonhos...? &lt;em&gt;E eu não sabia mais o que fazer, o moço entende minha situação, não entende?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(outro jato de luz em outro canto até então obscuro do palco sinaliza outra presença. E ainda Ela, que foi outra, desdobrou-se em muitas, e em muitos, tantos momentos em que, vivenciando outras, encontrou, novamente, a si. A Mulher está agora sentada, nua e apoiando-se com suas pernas abertas num cômodo velho e sujo, observa-se num longo espelho à sua frente, vertical e fincado no chão. A sua vagina não existe, é um grande buraco ensangüentado. Em suas mãos, além de muito, muito sangue, percebe-se a existência de uma faca, também suja de sangue. Inicia sua fala com feição descontroladamente satisfeita)&lt;/em&gt;Encontrei! Eu a encontrei! Como não percebi? Como eu não percebi que ela sempre esteve ao alcance de minhas próprias mãos?! &lt;em&gt;(olha suas mãos com um crescente desespero que a faz desmaiar. Cai no chão)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-112294063298128717?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/112294063298128717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=112294063298128717&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/112294063298128717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/112294063298128717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2005/08/1-verso-desta-que-inicialmente-uma-pea.html' title='[1ª versão desta, que, inicialmente, é uma] Peça para ser lida'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-111497347232931477</id><published>2005-05-01T15:44:00.000-03:00</published><updated>2005-05-01T15:57:43.030-03:00</updated><title type='text'>Sui generis</title><content type='html'>E aconteceu que ela mirou-se no Cinismo. Cismou. Adotou a corrente filosófica concebida por Diógenes e fez dela a sua própria filosofia. Num mundo estimulador de angústia e obrigações estúpidas, só mesmo a ironia - tão bem iniciada por Sócri - para nos fazer resistir à "ilusão do natural" que a sociedade nos condiciona; só mesmo o escárnio para nos fazer sobreviver ao despotismo da Alpha 60; sim, para suportar a dor do vazio e da essência que se mistura à sujeira e se torna merda, só mesmo vendo em tudo um grande e ignóbil chiste! Tão divertido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então ela seguia pela típica avenida já anoitecida e dominada pela aura que acaba de receber: a noite e seus fantasmas. Empregava no passo o acelerado e nervoso ritmo dos temerosos. Vinha com a alma cheia de lapsos deturpados e espasmos literários. Ela pedia. Em sua perspectiva animista, sua presença estabelecia comunicação com a "alma" daquele poderoso símbolo urbano. O diálogo funcionava desigual: de um lado, o imponente complexo citadino, do outro, a ínfima criatura. Prosseguia, contrariava a maré: agredida pelo medo imposto, retribuía com provocações. Que divertido a menininha indefesa ameaçada pelo perigo da rua. Se a violência é fruto social, quero viver a sociedade intensamente. Que bonito experenciar essa realidade construída. Pé-ante-pé, o destino se faz longo, a ironia é também externa. Em meio ao conflito interno, avista pequenas e excitadas sombras. Algo nasce. Aquela que retrucava se cala. Ela e as novas almas se aproximam. Dois moleques a cercam - corte para a evocação de imagens - algo no íntimo é tocado, os conselhos dos mais velhos, os "índices alarmantes", as notícias do jornal -, o Outro a busca. Asfalto, chinelo, um sorriso ameaçador. E é ele quem efetua: num estalar, direciona a boca e lasca um beijo em seu seio. "Pronto, beijei a florzinha dela". Muitas risadas. O empurrão exaltado dá conta de liberar o então bloqueio no caminho, um choque de braços, um choque. [Ninguém mergulha duas vezes na mesma realidade social, nunca será a mesma pessoa, nunca será a mesma realidade] Contrariados pela audácia da "menininha indefesa", partem para o ataque, eles teriam de sair vitoriosos. A vitória, aqui, é a humilhação da classe - personificada pela garota - que sempre os humilhou. E ela já ia andando na frente, incerta com o passo e com a alma, até que foi alcançada por eles. Um a segura, imobilizando-a com o puxão de seus braços para trás; o outro a encara, feição irônica: "Quanta pressa", desliza os dedos por entre os fios de cabelo dela, em seguida, sob um dos seios e abre um dos botões da camisa dela. Um chute desesperado. Eles lutam - é a luta, é a luta -,tapas e socos. Ela se desvencilha. Corre-corre. Perseguição acirrada: a classe dominante na frente, em minoria, perseguida pela classe dominada, em maioria, perseguindo a classe dominante, em minoria. Em velozes passagens de imagens, sobrepostas e mescladas, a cabeça num zumbido metralhada por lapsos, o fôlego que está por acabar e, enfim, alcança a estação de metrô. Fim da perseguição, início de quê? Em meio a lágrima, o orgulho choroso: Tão divertido, tão divertido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refutando a lógica vigente, as regras do jogo, o condicionamento, o poder simbólico, a tendência, a trajetória autônoma, a ideologia subentendida, o hábito que se sobressai à própria convenção e se torna costume social. Nós, os inadaptados e potencialmente suicidas, os subversivos de Alphaville, negamos o "reflexo mental", a ação não-calculada e automática, o efeito do Grande Campo. Contra o inatismo dos pressupostos, a preocupação imanente, o medo estuprador, a análise padronizada, o desespero coerente. O desespero coerente. &lt;br /&gt;Só o absurdo nos faz feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-111497347232931477?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/111497347232931477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=111497347232931477&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/111497347232931477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/111497347232931477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2005/05/sui-generis.html' title='Sui generis'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-111291459924157015</id><published>2005-04-07T19:56:00.000-03:00</published><updated>2005-04-07T19:56:39.243-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>[parte 1]&lt;br /&gt;Todo encolhido, e retorcendo com grande esforço seu corpinho, olhava pelo vão que a porta entreaberta denunciava: um vulto. Assustou-se. Os olhinhos: arregalados, eram agora grandes e estalados; o coração: batia tão célere que parecia soar por todo o ambiente, retumbante. O que teria sido aquilo? Sua consciência ainda incipiente já era dada ao pensamentear, repleta de faíscas que iluminavam e morriam, pirilampos serelepes de vida curta, vaga-lumes que acendiam uma idéia no mesmo instante que a apagavam. Um dia, excitado com a grande idéia que lhe ocorrera, voou para contar para alguém, mas, no corre-corre das perninhas ágeis, a maldita lhe escapou e nunca mais ele soube dela. Suspirou triste, tão profundo. Encheu o peito de ar, tomou coragem por alguns segundos e correu para aquele vão. Era sua chance de abandonar as nuvens, era a fechadura do mundo. E pôs-se a olhar: outro vulto. Segurou firme, desta vez. Veio-lhe uma vontadezinha de chorar, segurou-a também. E pôde olhar mais nitidamente e, o que viu, foram seqüências de vultos não-sincronizados, cada qual com seu estranho ritmo e movimentos próprios. Esses vultos foram tomando forma, sendo personificados, ganhando corpo humano... Pôde contemplar claramente agora: num palco encantado e suspenso pelo branco-infinito, almas-movimento serpenteavam pelo local de maneira disforme e sem cadência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-111291459924157015?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/111291459924157015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=111291459924157015&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/111291459924157015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/111291459924157015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2005/04/parte-1-todo-encolhido-e-r_111291459924157015.html' title=''/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-111266527888175121</id><published>2005-04-04T22:38:00.000-03:00</published><updated>2005-04-04T22:58:30.693-03:00</updated><title type='text'>Morte e vida na Alpha 60</title><content type='html'>Comecei tarde. Escrever é não morrer. No fundo, devo ter me perdido em algum canto dessa existência que eu construí à margem da Grande Existência - que sempre foi tão pequena aos meus olhos... &lt;br /&gt;Morri cedo. Desisti antes mesmo de ouvir o meu sino de ouro tocar. Deixei pra lá. Hoje, o sentido não faz mais sentido. Não importa. A desilusão corroeu o então-já-tão frágil liame que ia das importantes questões metafísicas ao doce-prosaico cotidiano - tão doce, tão medíocre...&lt;br /&gt;O morrer-renascer-morrer de todo dia. De cada breve-brevidade. De cada inter-rompimento da atividade-escriba. Meu desdém. No registro e no descaso. No registro e na desistência. No registro e no abandono de seu significado. No medíocre registro da mediocridade e de toda falta de sentido que construímos e reconstruímos: sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[hesitou entre parar por aqui e rasgar a folha de papel, como já desejou tantas vezes...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me perdi. E agora o sei. Esqueci meus fragmentos por aí. Em algum balcão de biblioteca pública. Em algum banco de metrô hiper-lotado. Em algum gesto de alguma vida da qual não faço mais parte. Em algum olhar... em olhar nenhum, porque nunca tive essa presença de espírito. Careço disso que chamam "presença de espírito". &lt;br /&gt;Perdi o norte, a identidade, o tom. &lt;br /&gt;Deixei pra lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[fez pausa para si mesma; esperou-se... e, quando do retorno,]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando de minha morte, quando do fim da escrita e do gesto, façam uma festa com pompa, folia e confete. Cerimônia, ritual e teatro. Sacrifícios, sorrisos e toques. Bolinhas de sabão. Façam arte, façam alguma maldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[soltou o lápis como num reflexo: pôde vê-lo ainda deslizar por entre os vãos do tecido-saia. Faleceu. E, em seguida, alguém veio lhe chamar pra "dar um jeito na vaca da coordenadora de Pós, que não gostou do enfoque dado à matéria sobre a última sabatina com os pesquisadores de comunicação, sobretudo, pela linha fina 'injusta e difamadora' e que espera no telefone"]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-111266527888175121?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/111266527888175121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=111266527888175121&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/111266527888175121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/111266527888175121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2005/04/morte-e-vida-na-alpha-60.html' title='Morte e vida na Alpha 60'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-111214908477826968</id><published>2005-03-29T23:15:00.000-03:00</published><updated>2006-02-05T04:26:45.123-02:00</updated><title type='text'>Foda-se esta merda</title><content type='html'>As bundas do metrô são tão feias... É porque elas não têm Deus no coração... Hã?... O quê?... O que disse?... Que elas não têm Deus no coração... Quem?... As bundas do metrô... Tá louco?... Louco?... Holden tinha razão... Por quê? As bundas do metrô são tão feias... É porque elas não têm Deus no coração... Hã?... O quê?... O que disse?... Que elas não têm Deus no coração... Quem?... As bundas do metrô... Tá louco?... Louco?... Holden tinha razão... Por quê? As bundas do metrô são tão feias... É porque elas não têm Deus no coração... Hã?... O quê?... O que disse?... Que elas não têm Deus no coração... Quem?... As bundas do metrô... Tá louco?... Louco?... Holden tinha razão... Por quê?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto-encomenda para o Fede à Porra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zum-zum&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não imaginava que ele era capaz. Quando me pediu pra ver a bundinha, pensei que enfiaria o dedo ou o pau, cheguei a mencionar a vaselina mas, quando percebi, já estava sentindo sua língua, aquela imensa e úmida língua dele, bem no meio do meu cu. Bem lá. Me senti ridícula, no começo. Só não tive coragem de pedir pra que ele parasse, não queria dar o braço a torcer, mostrando que achava aquilo diferente demais pra mim, dando a entender que estava um pouco chocada e me sentia estranha. Receei que me julgasse inexperiente, ingênua. Permaneci estática e me fiz de natural, sem soltar um ruído - nem de prazer nem de enfado - esperando pelo fim daquela cena que se aproximava de um daqueles filmes pornôs que passam na Band e que a gente assiste quando não tem nada melhor pra fazer. A imagem me bateu uma vontade de rir desgraçada. Segurei o riso estrondoso e denunciador e soltei só um sorrisinho de canto de boca. O problema é que ele não parava. Não parava. Por nada. Não demonstrava um pingo de cansaço ou derrota. Continuava num movimento de ida e vinda com a língua alternando para o de colocar e tirar. Incessante. Tentei alcançar algum objeto próximo e lançar ele ao chão pra ver se o infeliz acordava daquele transe. Rezei pra que o telefone tocasse e eu, fingindo estar esperando por uma ligação importante, desse um pulo e corresse na direção do aparelho. Pensei até em simular uma vontade de urinar ou de fazer cocô. Mas ele me atava ao colchão de tal maneira que me deixava à mercê de sua vontade em acabar logo com aquela situação bizarra. Só que de repente, percebi que a força com que a língua dele entrava e saía da minha bunda fazia um som. Um som estranho, bem baixinho. Tive paciência pra tentar escutá-lo. Um, dois, três segundos. Mais alguns. Era uma espécie de som de "z", mas que continuava e se perdia. Prendi a respiração, me concentrei e daí pude ouvir. Tinha conseguido. Ouvi de novo pra me certificar. Ow, puxa. A língua dele no meu cu fazia um zum...zum... E se repetia: zum... zum... Zum-zum! Zum-zum, zum-zum... Fiquei me distraindo com o som enquanto ele se distraia com meu ânus. Ficou mais um tempo a movimentar a língua e, quando finalmente, decidiu descansar, escutei sua voz rouca e quase sem respiração: "fiz zum-zum e pronto... fiz zum-zum e pronto..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-111214908477826968?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/111214908477826968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=111214908477826968&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/111214908477826968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/111214908477826968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2005/03/foda-se-esta-merda.html' title='Foda-se esta merda'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-110833441029029790</id><published>2005-02-13T20:37:00.000-02:00</published><updated>2005-02-13T20:46:08.156-02:00</updated><title type='text'>Trilogia Vida-Morte-Morte-Vida</title><content type='html'>A natimorta &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"meu próprio enterro eu seguia.&lt;br /&gt;Só que devo ter chegado&lt;br /&gt;adiantado de uns dias;&lt;br /&gt;o enterro espera na porta:&lt;br /&gt;o morto ainda está com a vida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verão nas cidades grandes sempre lhe fora nada aprazível. Trocando em miúdos, o verão de São Paulo sempre lhe era abominável. Uma noção grotesca de realidade, uma imagem deveras repugnante. A estação calorenta era sua expressão máxima de Escatologia, o significado mais próximo de Inferno concebido por ela. Os corpos, nas ruas, rastejavam peçonhentos e serpejantes sobre o asfalto tórrido, massas sacolejantes que iam-vinham sem rumo definido [onde existe rumo definido?]. A moleza do espírito remetia à moleza da matéria: uma matéria morta e flácida: um amontoado de carne com dois olhos semi-cerrados. E era assim que se sentia naquela noite de janeiro. [Não havia vida, só havia a falta do ânimo.] Sozinha e entregue aos devaneios e aos insetos, Rita ostentava seu vestido cinza curto de alças. Os insetos, aliás, representavam tomo à parte na empreitada de veraneio. As moscas e os mosquitos: guardiões do purgatório a velar a defunta; os pernilongos: dragões sanguessugas, monstros insaciáveis. Uma barata, amiúde, estragava-lhe o dia. Ouvindo o zumbi-zumbido dos dragões-vampiro e, antes de enlouquecer ao som-tortura, despiu-se do lençol úmido, entregando a carne já tão cobiçada. Um forte odor elevou-se do seu corpo e ali, estendida, naquela cama, naquela noite, algo como enjôo, angústia, mau presságio e desespero veio fazer companhia. Foi, então, que, a lembrança matutina daquela barata quase morta [somos todos, como aquela barata, uns quase-mortos, uns quase-vivos], que parecia agonizar num dos vários cantos da cozinha, veio meter-lhe com as idéias. Lembrou-se de que a havia desejado profundamente por um segundo: as antenas e todo o resto: tudo lhe pareceu delicioso. [Agüenta ouvir: sossega e agüenta mais um pouco: o horror, o medonho horror, pode ser bem mais saboroso que o sonho, que geralmente é mole e rosa demais.] E o bom é que o horror é preciso. Não houve amor, só houve o desejo, que é coisa mais certa, Rita só a quis naquele instante, só a quis intensamente, só. Mas depois vieram os sustos, os medos, o asco, o desprezo e todas aquelas frescuras que as mocinhas bem-nascidas sentem ao se deparar com uma barata. Tentou afasta-la de si, com uma vassoura, para o ralo [que é para onde a gente manda os causadores de sustos, medos, asco e desprezo, e foi aí que tudo isso despertou e], ela [explosão], recuperando surpreendentemente a vida [explosão], correu para baixo da geladeira. Não saiu por nada. Rita chorou a manhã inteira. E foram lágrimas tão quentes!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estupro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E agora, se abre o chão e te abriga&lt;br /&gt;lençol que não tiveste em vida.&lt;br /&gt;Se abre o chão e te fecha,&lt;br /&gt;Dando-te agora cama e coberta.&lt;br /&gt;Se abre o chão e te envolve,&lt;br /&gt;Como mulher com quem se dorme."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a primeira gota de suor riscou uma de suas têmporas, Rita foi tomada por um golpe de arrepio que chegou e se foi tal qual um bólido que passa. Seu corpo, perpassado pelo meteoro, soube de imediato a natureza do que estava por vir; enrijeceu-se, tremeluziu e esperou pela Grande - grave-gravíssima - Chegada. Quanto à alma [essa carcereira], nada entendeu: prostrou-se sobre infinitas reflexões, idéias que nasciam-jaziam, pensamentos fadados a serem varridos pelo olvido cruel, num teatro pseudocatártico, num redemoinho falsamente inspirado de lapsos-lâminas eternos [inimiga da vida, produtora de embustes! A mais ínfima personagem, a que me rasga eterno]. E foi então que Rita, deitada e suspensa pela cama, com um dos braços [avisa que é o direito] apoiando a cabeça e com os olhos fixos no teto que a obnubilava na mesma medida que a pressionava, sentiu. De súbito, o terror: mudo, pasmoso, imobilizante, que cedeu lugar à profusão sinestésica de sensações invertidas e desencontradas. Aliás, certas e coerentes, porque é a Sinestesia a mestra máxima, a lição egrégia de todos os sentidos. A suprema sensação; o sentir mais, o mais-sentir; o sublime verbo. E ela se fez sublime e obedeceu o dito divino, sentiu. Sentiu e reconheceu: reconheceu-se. Reconheceu o ser que a matara de saudade e coisa ainda mais profunda e dolorida que isso [o mais profundo é sempre o mais pungente], reconheceu aquela que agora repousava na parte interna de seu braço direito levantado. Rita não moveu a cabeça, não olhou, não podia. Não pôde controlar o tempo em que a barata permaneceu sem qualquer movimento - cada segundo era um bólido orgástico, cada instante era um sempre -, mas aconteceu que ela se moveu e iniciou um percurso pelo braço que continuou ao longo da axila até penetrar o vestido cinza-curto-de-alças.  Devidamente habitada e ao atravessar o seio [aquele, o direito], elevava-se e abaixava-se conforme a respiração arquejante daquele corpo feminino que oscilava entre desespero e conformismo. E, assim, caminhando rumo ao umbigo, ainda por entre as costelas, vagava, soberba e imperial, com seu objetivo inexorável, fazendo valer o tal conceito de serventia das idéias fixas. E se essa não teve serventia, eu não sei o que pode ter: já no ventre de Rita, deslizou por ele até o encontro com os pêlos e o posterior alojamento na vagina; Rita temeu, gritou [e foram urros tão dantescos, berros descomunais], tentou desvencilhar-se das amarras da repulsa e da amordaça do pavor - em vão -; sentiu um forte enjôo e de repente, sentiu que, não podia, sentiu que estava prestes a, mas lutou contra até o fim e, no fim, derrotada, não pode contê-lo. Gozou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E não há melhor resposta&lt;br /&gt;que o espetáculo da vida:&lt;br /&gt;vê-la desfiar seu fio,&lt;br /&gt;que também se chama vida,&lt;br /&gt;ver a fábrica que ela mesma,&lt;br /&gt;teimosamente, se fabrica,&lt;br /&gt;vê-la brotar como há pouco&lt;br /&gt;em nova vida explodida"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O início da vida trouxe o Sol: o dia nascia, a mulher re-nascia. E aconteceu que ela despertou: corpo e alma amanhecendo. Despertou de um sono-sonho mágico; era uma cansada, uma maldita; era livre. [A ilusão nos pega de surpresa, sem explicação, vem amoral e absoluta.] Os restos da humilhação e do desespero vividos foram [e eu vou esfregar: porque toda penetração, porque todo coito, porque todo ato que pressuponha uma posição fetal é humilhante e toda cópula, um trauma, aviltante], paulatinamente, cedendo espaço a sensações de desconforto íntimo e euforia secreta. Os olhos, surpreendentemente vivos, eram duas bolas de fogo, vulcões na eminência de sua erupção. Entendeu-se assustada. O que viria a seguir? [A conseqüência do rebaixamento é sempre dádiva assustadora.] Um não-sei-o-quê ansiava pelo Sol, uma urgência de manhã. Uma quentura tomou-a inteira: no calcanhar, na parte de trás das coxas, por entre as pernas, nos ombros, na nuca. E, num estalo, uma pontada. Uma expectativa ofegante, um tremor-terror, o ar pesava sufocava tentava esganá-la ela perdia os sentidos desmaiava ressurgia outra pontada, ah. Seu sexo latejava, salientava-se, era alfinetado ininterruptamente. Parecia o fim. Sentiu-se encharcada de carne-geléia, gordura, urina, visgo, sangue. Uma dor aguda, mortal, vital ia-vinha em forma de ferroadas. Sentiu que ia morrer, que uma chaga infiltrava-se no seu corpo e que era preciso força para não se findar. E durante infindáveis minutos-segundos-horas-que-não-se-sabe-precisar, implantou uma força impenitente para expurgar o mal, pressão para se exercer o vômito pela vagina. [Meu Deus, como a vida vem terrível.] E - sem quase ter tido tempo para ouvir seu sino de ouro tocar -, numa explosão, na erupção, no susto, na detonação da bomba-vida, na comoção geral de todos os órgãos de sentidos, a concepção lhe chegou em cachoeira. Aterrorizada e imóvel, despejava por entre as pernas sua prole, seu fluxo precípuo e contínuo de existência. E elas saíam como raios do corpo abençoado, famintas de Sol, um enxame: dezenas, centenas de baratinhas, uma torrente delas que inundavam sem pausa aquela cama, que inundavam aquele quarto, que inundavam a casa e a vida que, finalmente, agora, era menos vazia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Severino retirante,&lt;br /&gt;deixe agora que lhe diga:&lt;br /&gt;eu não sei bem a resposta&lt;br /&gt;da pergunta que fazia, &lt;br /&gt;se não vale mais saltar&lt;br /&gt;fora da ponte e da vida;&lt;br /&gt;nem conheço essa resposta,&lt;br /&gt;se quer mesmo que lhe diga;&lt;br /&gt;é difícil defender,&lt;br /&gt;só com palavras, a vida"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-110833441029029790?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/110833441029029790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=110833441029029790&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/110833441029029790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/110833441029029790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2005/02/trilogia-vida-morte-morte-vida.html' title='Trilogia Vida-Morte-Morte-Vida'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-110425438535560475</id><published>2004-12-28T15:16:00.000-02:00</published><updated>2004-12-28T15:43:12.946-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Marcas: Anjo Pornográfico I [o original], Anjo Pornográfico II, Liz Christine, Patética, Teatro da Vertigem, a Vertigem, o Teatro, o Cristianismo, Jair Ferreira dos Santos, Sidney Ferreira Leite, Caê, Pami, Alex Polari, Clarice, Dostoiévski e o espírito maldito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero escrever uma porra bem sacana. Eu quero um gozo desesperado, uma personagem licenciosa, o ridículo da pornografia, a selvageria, o palavrão. &lt;br /&gt;O palavrão? Eu sou o palavrão. Eu. Eu quero o deboche. O grotesco. A vertigem dos caminhos feios e insalubres. O catarro, o pecado e a escatologia. Que se decrete o estupro do lirismo! Três vivas ao mau gosto dos instintos, das palavras chulas - as desagradáveis palavras chulas. Qual o problema com o outro lado do "humano"? Qual o problema da ignorância? Qual o problema da buceta?&lt;br /&gt;Problema é ser medíocre. &lt;br /&gt;Qualquer coisa pode ser fescenina, animal, patética e... poética! Merda!&lt;br /&gt;O gozo gozou, gozado e piegas. Pus, verme. Pisa! Pisa que é germe.&lt;br /&gt;A vertigem teatral é a única coisa. Cênico é representar o irrepresentável. É vomitar o pudor mau na cara dos caretas. &lt;br /&gt;Sofram, malditos. Rir é pecado e o pecado é um fantasma, já que ele sempre é uma possibilidade que assombra. Uma heresia. Eu preciso de uma heresia. Que venham todos os malditos - ah, os hereges malditos - me trazer uma heresia. Nietszche, Bukowisk, Dalí, Polari, Hilst, Geni e todos os outros!&lt;br /&gt;E não saber pode ser tão mais bonito... Entender e conhecer é limitado. E sentir é um verbo tão mais interessante...&lt;br /&gt;Nada é sublime? Mentira. Porque, então, o que dizer da tesão? Tesão: libido é o caralho. &lt;br /&gt;Deus salve o sexo dos anjos, o desejo das crianças. O irreprimível e incensurável desejo das crianças. Deus salve o teatro dos insanos, do absurdo, do oprimido. Deus salve o sangue dos solitários, dos loucos e dos malditos - os santos malditos. Deus salve todos os seus abençoados hereges. &lt;br /&gt;Afinal, a grande questão a ser colocada nessa pós-hiper-modernidade se inverteu. Porque... a grande questão é...&lt;br /&gt;E se Deus realmente existir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não-manifesto [vomitado com gosto] do Espírito Maldito. Porque [contrariando Dostoiévski, se Deus existe,] se Deus realmente existe, a gente tá fodido.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-110425438535560475?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/110425438535560475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=110425438535560475&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/110425438535560475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/110425438535560475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2004/12/marcas-anjo-pornogrfico-i-o-original.html' title=''/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-110247606218007096</id><published>2004-12-08T01:06:00.000-02:00</published><updated>2004-12-08T02:06:38.076-02:00</updated><title type='text'>"Blip" [sem fim]</title><content type='html'>Graças a Deus, não aconteceu algo pior. &lt;br /&gt;Você devia ter dito "eu não gosto dela, só quero comer e..."&lt;br /&gt;[Suor nas mãos dadas]&lt;br /&gt;Minha habilitação foi junto.&lt;br /&gt;[Leio: "...desse jeito, pega de supetão e pode machucar", levanto os olhos verdes para os olhos vermelhos e penso, "que merda que eu fiz?!"]&lt;br /&gt;[Duas caras de bosta descem a rua e, no pensamento, um lapso: "pôôôrra, isso foi pós-moderno!"]&lt;br /&gt;["Bandidos" X "cidadãos de bem" - um debate entre pai e filha, em que esta última tenta incutir alguma visão sócio-antropológica àquele]&lt;br /&gt;E eu respondi que a pós-modernidade era um demônio anunciador, um anjo terminal.&lt;br /&gt;Você tem algum livro do Polari?&lt;br /&gt;Não, marrom.&lt;br /&gt;E o louco lá, ainda tá sondando?&lt;br /&gt;Eu vou fazer um B.O. amanhã, você vai?&lt;br /&gt;["Tem esse fato de eu estar gostando tanto de você&lt;br /&gt; e não sentir vontade de gostar de ninguém, no momento"]&lt;br /&gt;E o Jordani tava junto? Roubou ele também? Iiiiixi.&lt;br /&gt;Você ficou aqui pra me esperar? [Como uma criança, faço que sim com a cabeça]&lt;br /&gt;Se você não aprender dessa vez, não vai aprender mais - enfático, absoluto... como sempre.&lt;br /&gt;[Chuva de chuveiro para limpar a consciência pesada.]&lt;br /&gt;E você viu a tática do cara? "Se você gosta da mina, vai passando a carteira", imitando.&lt;br /&gt;Porque no final do livro do pós-modernismo, o cara cita os seus poetas favoritos.&lt;br /&gt;Não liga agora pro seu pai que ele vai ficar desesperado, ele vai ficar louco.&lt;br /&gt;6034: têm mais de dez pessoas na nossa frente.&lt;br /&gt;[Beijinho, olhos vermelhos, beijinho]&lt;br /&gt;Não lembro o que eu tinha na carteira... RG, CPF...&lt;br /&gt;Cuidado com esse negócio de relacionamento aberto, hein...&lt;br /&gt;Se eu te pedir desculpas, você vai me dar um soco?&lt;br /&gt;Vou ficar paranóico por uns três meses, depois eu volto a andar na rua distraído.&lt;br /&gt;A Ana me disse que levaram sua mochila com tudo... pensei "putz, vou ter que dar outra Hello Kitty pra Dani!"&lt;br /&gt;Daí eu pensei, "se a autora fosse a Dani, o Polari estaria aqui".&lt;br /&gt;É... De quem foi a idéia? Mário Covas.&lt;br /&gt;Daí tinha uma questão na minha prova que perguntava se a pós...[ele interrompe mais uma vez]Tem vela no banheiro de casa. Por que? Meu pai caga muito fedido. &lt;br /&gt;Aê, truta,&lt;br /&gt; se você gosta da mina, &lt;br /&gt;vai passando a carteira.&lt;br /&gt;Que bom que eu tenho você. Não de "ter" no sentido de "posse", mas de ter na minha vida.&lt;br /&gt;"Tentando Estruturar Uma Sensação"&lt;br /&gt;A culpa foi TODA minha! Isso tudo aconteceu por MINHA culpa... Eu sou mesmo prejudicial.&lt;br /&gt;Estatura média, uns 30 anos, magro... e, enquanto prossigo com a descrição, penso: "faço questão de deixar para citar que o cara era negro no final"...&lt;br /&gt;Só faltava a gente ser atropelado. &lt;br /&gt;Você é a pessoa que eu mais tenho intimidade no mundo!&lt;br /&gt;Eu ia dizer que aquilo tinha sido pós-moderno, mas vi que você estava tenso demais para um comentário desses.&lt;br /&gt;A carteira era de couro? Couro preto? &lt;br /&gt;[No elevador, e ainda com aquela cara estranha, ele arranca uma folha, toda escrita de caneta preta, do caderninho dele: uma porção de sentenças e aforismos]&lt;br /&gt;["Teve aquela vez que você falou que provavelmente não ficaria com ninguém"]&lt;br /&gt;Ãhã.&lt;br /&gt;O problema da polícia é que delegaram poder a pessoas que não têm formação nenhuma. Isso é funcionalismo público. E vai reclamar pra você ver o que acontece...&lt;br /&gt;Eu não vou chorar. Você também não vai, né?&lt;br /&gt;Era uma questão de tempo para isso acontecer.&lt;br /&gt;[De um lado, escatologias; &lt;br /&gt;do outro, risadas. &lt;br /&gt;O Mote? Cagar]&lt;br /&gt;Eu vou esperar a aula dele acabar, vou resolver um mal-entendido. &lt;br /&gt;[Bilhete, o bilhete]&lt;br /&gt;O investigador foi meu aluno. &lt;br /&gt;Ai, que cara estranha.&lt;br /&gt;Cabelo curto com aquelas trancinhas, sabe? Olhos escuros... negro.&lt;br /&gt;Por que você tá olhando assim, pra baixo? Tou com vergonha. Tou com vergonha de você.&lt;br /&gt;["Muito pouco da chateação é com você, é mais comigo"]&lt;br /&gt;Às 11 horas da noite, de semana, quem tá na rua ou é bandido ou tá andando com muita pressa.&lt;br /&gt;Eu prefiro não te magoar a ser eu mesma. &lt;br /&gt;Ahahahahahaha... Eu sempre me expresso mal...&lt;br /&gt;Foi furto? Ele mostrou arma? - diz um fartum de pinga.&lt;br /&gt;Era um texto para irritar você. &lt;br /&gt;Que ótimo, acho que estamos começando uma fase interessante do nosso relacionamento. A das provocações.&lt;br /&gt;Tá tudo bem, Pú, obrigada por ter ligado.&lt;br /&gt;["Talvez eu seja inseguro demais (talvez não)"]&lt;br /&gt;Ai, Dani... você e sua arrogância. Vamos competir agora pra ver quem teve mais culpa?&lt;br /&gt;Sabe, eu acho que você não é tão adepto assim do relacionamento aberto...&lt;br /&gt;Vocês tão namorando? Não. Ficando? Não... [e o interlocutor lança uma cara de interrogação] É uma espécie de relacionamento aberto.&lt;br /&gt;Olhos loucos: eu tenho filho pra criar, não é fácil. E vão agora descendo essa rua.&lt;br /&gt;6047!&lt;br /&gt;["Tem a minha hiperimaginação e visão deturpada"]&lt;br /&gt;Na verdade, foi eu que escrevi, mas como o Velho era o que mais se encaixava no perfil do texto, dei a autoria para ele. &lt;br /&gt;Você consegue descrever o sujeito?&lt;br /&gt;Tó. Pra você lembrar de mim. Como se eu precisasse disso. Ah, seria mais um momento em que você pensaria em mim. Posso ser crítica? Pode: isso foi piegas, ridículo... Não, foi egoísta.&lt;br /&gt;Também pensei em pedir para tirar os documentos, mas o cagaço foi maior.&lt;br /&gt;Mas e aí, tá rolando alguma coisa entres vocês?&lt;br /&gt;["Mas eu achava que, nesse momento da relação, não rolaria nada fora mesmo, isso me chateou bastante"]&lt;br /&gt; Oi, Ana, tudo bom? Aqui é a Daniela. Eu fui assaltada, preciso fazer B.O e dar entrada nos documentos. Desculpa, não vou poder ir ao seminário.&lt;br /&gt;A intimidade é um veneno.&lt;br /&gt;Você adora clichês literários.&lt;br /&gt;Eles são mais líricos.&lt;br /&gt;Mas eu não fiquei com ninguém! Você pensou que eu...? Ahahahahahaha...&lt;br /&gt;Pai, acho que você tem uma visão muito maniqueísta a respeito da violência.&lt;br /&gt;[A espera. A senha]&lt;br /&gt;Na questão, perguntava se a pós...[ele interrompe]Daí eu disse, "é por isso que eu te amo, pai". Ontem, ele tava atacado.&lt;br /&gt;Boa, essa idéia do Poupatempo.&lt;br /&gt;E o lirismo, hein...? O Velho escreveu um texto.&lt;br /&gt;Ah, então, mas a pergunta era assim: "A pós-modernidade é um anjo anunciador ou um demônio terminal?"&lt;br /&gt;E se eu não pergunto, você não fala nada? Ah, é que não é um relacionamento tão sério... Quer dizer, é sério... Mas, por exemplo, não existe um compromisso. É diferente de namoro. &lt;br /&gt;Pôôôrra, que resposta pós-moderna, hein!&lt;br /&gt;Quer um chazinho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-110247606218007096?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/110247606218007096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=110247606218007096&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/110247606218007096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/110247606218007096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2004/12/blip-sem-fim.html' title='&quot;Blip&quot; [sem fim]'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-110072598247668339</id><published>2004-11-17T19:09:00.000-02:00</published><updated>2004-12-07T18:58:49.583-02:00</updated><title type='text'>Crônica oriental 01 [ou um kitsch "Amo Adjetivações"] </title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;- livre(e lirica)mente adaptado de (e inspirado por) Crônica Oriental 01. JORDANI, Felipe. 2004. geocities.yahoo.com.br/f_jordani/blogover&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prontos para um recorte delicado?&lt;br /&gt;Na capela do alto da montanha mais insigne e íngreme da microilha asiática mais perdida e, igualmente esquecida, do oceano Pacífico, encontravam-se cabecinhas nada hirsutas. Singela capela de aspecto respeitoso, como se fosse egressa de um filme de Kurosawa ou Imamura, talvez. No âmbito interno, corredor estreito, escuro. Nele, as cabecinhas nuas seqüenciam-se. São aprendizes, obedientes. Ao fundo, o monge-mor. Mestre Gafanhoto lança olhar severo e inspetor sobre os pequenos. E a imagem que seus olhos obtiveram foi a de uma continuação dupla e reta de esferas brancas e imóveis. Ah, seus pupilos. Deles, exalava o odor de banho que só os infantes - os pueris infantes - são detentores; com aquele quê de espuma, sabão e ingenuidade. Virou-se e, no instante que perdurou seu presto movimento, ouviu-se [Nota da "autora": esse é o momento em que me entrego e indago-lhes: como dizer isso de forma lírica? Como transformar um ato tão prosaico e reles num ato com ar de poesia? Mas que questões são essas, não é capaz de enxergar o óbvio? O óbvio: é provável que essa seja a cena mais lírica e sensível abordada por ti, autora ignara. O que é mais poético e tocante que um ato espontâneo de uma criança? Meus olhos brilham nesse momento... e corro agora rumo ao meu pequeno infante ... e o que se ouviu foi] um envergonhado e desajeitado flato. Foi aí que o excesso de gases no tubo digestivo do terceiro pupilo da segunda fila sonorizou-se e tornou-se evidente. As outras cabecinhas nuas não seguraram o riso abafado - ó, singelo escracho das crianças. Ó, imagem burlesca -, daqueles que escapam sem volta. Aquelas esferas, em formato de pomo, despidas de qualquer pêlo ou fio capilar, a despeito da nítida agitação provocada pelo ato solene - ah, o "cheiro destoante" -, mantinham um ar circunspecto advindo do traje uniformizado - vestiam túnicas branquíssimas -, remetendo a cenas seculares, incólumes ao desgaste do tempo e presentes num específico imaginário coletivo. Nisso, o Mestre, implacável, já anunciava o castigo. E o que se sucedeu foi que o agora célebre "terceiro menino da segunda fileira" teve de se postar frente ao grupo e entoar os versos da ducentésima primeira (?!) poesia do Grande Livro de Poesias:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando a folha cai&lt;br /&gt;Quando o vento chora&lt;br /&gt;Quando a vida pára&lt;br /&gt;Quando o dia acaba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ow, puxa, ele se equivocou no quarto verso.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando a folha cai&lt;br /&gt;Quando o vento chora&lt;br /&gt;Quando a vida pára&lt;br /&gt;Quando o dia retorna!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;De recompensa, recebeu uma dura cajadada de seu Mestre na pobre cabecinha nua - tão nua como as outras, mas agora tão dolorida e humilhada como nenhuma outra - e engoliu o choro que se avizinhava, uma enxurrada de lágrimas foi o que teve de conter. Retornou, encabuladamente derrotado, ao terceiro lugar da segunda fila... quieto, pálido. O desejo do bocejo e o peso nos olhos atingindo a todos denunciava o toque para se recolherem. E assim se fez a vontade divina: Mestre Gafanhoto ansiou por uma verdadeira noite de descanso às cabecinhas e cada qual rumou para seu dormitório destinado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-110072598247668339?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/110072598247668339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=110072598247668339&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/110072598247668339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/110072598247668339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2004/11/crnica-oriental-01-ou-um-kitsch-amo.html' title='Crônica oriental 01 [ou um kitsch &quot;Amo Adjetivações&quot;] '/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-109943325496711564</id><published>2004-11-02T20:00:00.000-02:00</published><updated>2004-11-17T19:39:37.793-02:00</updated><title type='text'>Flashs, Recortes ou Lapsos para uma Consciência Fragmentária</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Você gosta de homem?”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E foi assim que a menina rompeu o silêncio. Direta, inocente, curiosa, transparente. Era de se esperar. Esse tipo de indagação sempre surge nos momentos mais improváveis, nas épocas mais curiosas. "Deus é mesmo um cara gozador", ela deve ter pensado ao ouvir isso. E, depois de proferir dantescos urros e ofensas ao Homem, tratou de pensar em algo para responder à menina, tentando fazer tudo isso de forma natural, é claro. Enquanto codificava um raciocínio aparentemente complexo para que uma explicação plausível chegasse até a menina, mil imagens nasciam na mente. Espasmos céleres que se alternavam para a representação de um movimento, de uma trajetória. Como um filme, um musical. Sim, aqui é tudo muito surreal, baby.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O velho Deus inventa a guerra...”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Nietszche ainda me paga, esse libriano safado, esse herege filho-da-puta. Me fez cristã em um mês: convicta. E ainda se fosse só isso... O maldito foi além: esfregou a Perfeição na minha cara, fez vir à tona meus mistérios lingüísticos, meus traumas barrocos. Tudo isso ao som das melodias catárticas e epifâncias. Zombou dos meus medos mais intrínsecos, humilhou minha consciência mais mascarada. Niet, essa contradição personificada, repleta de recalques, frustrações e doença: Niet é o barroco sem precedentes: a dialética precípua: o demônio anunciador, o anjo terminal: Niet é como o teólogo que tanto abomina: categórico, julgando-se superior à toda corja ínfima, o resto. Afinal, o resto é só humanidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A Ética é uma vaca!”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O aforismo alegórico gritado fez sentido aqui dentro. Foi lançado com força - era um seta de direção premeditada -, veio destruindo tudo que estivesse no caminho, insano por chegar logo ao seu destino, por atingir seu objetivo e abrir a ferida. É que vocês precisam compreender um ponto importante. Dado o humor negro de Deus, as coincidências (as eternas malditas coincidências) são apenas frutos de um cotidiano surrealista, prole prosaica que encontra refúgio em vidas fadadas a serem líricas e, óbvio, surreais. Deus surge nas indiretas, no implícito, em cada silêncio perfeito, em cada amor infinito, em cada átimo sarcástico e em todo detalhe que significa tudo. Aqui, a banalidade é encarada como meio para o contato com o sagrado, ou seja, a epifania. E daí que aconteceu que Ele me mandou mais essa. Toma, idiota. Por que, afinal, o que é a Ética? Essa minha musa, esse meu algoz, essa minha Vaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Mas eu não eu busco ser inovador. Eu sou.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Uhhhh... Contundente. Perfeito: odeio falsa modéstia. Ele é mesmo tão barroco quanto eu. Um anjo caído, um anjo-prostituto, um anjo-cão... o meu anjo. Mas eu conto o que sucedeu após o comentário. Em seguida: soltei uma risadinha irônica, dessas que zombam de uma aparente pretensão. Ele não entendeu, ficou em silêncio. Ser inovador, excêntrico, maldito. E afirmar que se é tudo isso! Perfeito! Fiquei com a frase na cabeça, admirando o seu tom egocêntrico, sacana e também a coragem, a autoconfiança, mesmo que nada disso remetesse àquela figura singela. Dias depois, por telefone, foi solucionado o mal-entendido. Ele quis dizer que não buscava ser inovador, e sim que simplesmente era ele mesmo, inovador ou não. A oração "Eu sou" já encerra seu próprio sentido completo de ser. Simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-109943325496711564?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/109943325496711564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=109943325496711564&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/109943325496711564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/109943325496711564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2004/11/flashs-recortes-ou-lapsos-para-uma.html' title='Flashs, Recortes ou Lapsos para uma Consciência Fragmentária'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-109875075419079749</id><published>2004-10-25T21:22:00.000-03:00</published><updated>2004-10-25T21:32:34.190-03:00</updated><title type='text'>Arte ou o célebre "Como Explicar Quadros a uma Lebre Morta"</title><content type='html'>Eu quero fazer do teatro, minha vida. E, de sua arte, o sentido dela. &lt;br /&gt;Eu quero fazer como o escultor alemão Joseph Beuys. Cobrir meu rosto com banha e pó dourado e ficar falando, por horas, com uma lebre morta apoiada, carinhosamente, no colo.&lt;br /&gt;Eu quero uma performance. Uma intervenção.&lt;br /&gt;Pra me sentir completa, pra me sentir verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ônibus, dormindo-acordada-sonhando, uma de minhas consciências me sussurou:&lt;br /&gt;"Pessoas como você só encontram a salvação na Arte..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-109875075419079749?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/109875075419079749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=109875075419079749&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/109875075419079749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/109875075419079749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2004/10/arte-ou-o-clebre-como-explicar-quadros.html' title='Arte ou o célebre &quot;Como Explicar Quadros a uma Lebre Morta&quot;'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8839604.post-109848980163082342</id><published>2004-10-22T20:39:00.000-03:00</published><updated>2004-10-22T21:03:21.630-03:00</updated><title type='text'>Reliquat fededigno ou apenas "Um teste"</title><content type='html'>Ana Mendieta morreu. E eu também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8839604-109848980163082342?l=alienadatiete.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alienadatiete.blogspot.com/feeds/109848980163082342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8839604&amp;postID=109848980163082342&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/109848980163082342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8839604/posts/default/109848980163082342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alienadatiete.blogspot.com/2004/10/reliquat-fededigno-ou-apenas-um-teste.html' title='Reliquat fededigno ou apenas &quot;Um teste&quot;'/><author><name>danielandin</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06515655094892035746</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://bp0.blogger.com/_Ov869QzGiNE/R47bFA08k0I/AAAAAAAAAAU/XDNObQa-OQE/S220/branca+e+besta.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
